Therezinha Marçal
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Therezinha de Jesus Cintra de Carvalho Marçal (Belém, 19 de novembro de 1940 – Rio de Janeiro, 16 de abril de 2026) foi uma jornalista, atriz, professora de teatro e dubladora brasileira.[1]
Biografia editar
Vida Pregressa editar
[1]Filha da atriz Mara Rúbia, teve contato com o teatro desde cedo e assim seguiu o rumo da atuação ainda criança. Estreou aos 7 anos, ao lado da mãe, na peça Mulheres, de Clara Booth, sob direção de Dulcina de Moraes. Na dublagem, fez duas personagens marcantes da Disney: Wendy, em Peter Pan (1953), e Alice, em Alice no País das Maravilhas (1951), ambas pelo Estúdio Continental Discos. Destaca-se, igualmente, em sua trajetória, a montagem da peça Peer Gynt, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen — um clássico do teatro, escrito em 1867.
Vida Pessoal editar
Therezinha mudou-se para o Rio de Janeiro, com a mãe e os irmãos, em 1946, após o divórcio dos pais. Em 1952, estrelou dois filmes, Brumas da Vida e Força do Amor, lançados naquele mesmo ano. Esteve por três anos na TV Rio, participando de diversas apresentações voltadas ao teatro de variedades, e em espaços culturais como o Moinho de Ouro, também no Rio, famoso por abrigar processos de criação, oficinas e montagens que frequentemente fugiam dos circuitos comerciais.
Em 1960, deixou o meio artístico para se dedicar aos estudos de Filosofia e Jornalismo. Em 22 de maio de 1962, casou-se com o arquiteto Luiz Marçal Ferreira Neto. O casal mudou-se posteriormente para Brasília, onde viveu por 11 anos. Dessa união nasceram Cláudia, Daniela e Adriano. Mais tarde, residiram na Argélia, em razão de um projeto profissional de Luiz Marçal, na Universidade de Constantine, situada naquele país.
De volta ao Brasil, estabeleceram-se no Rio, onde ela decidiu retomar sua carreira teatral. Estudou na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e, além das suas atuações em montagens, passou a lecionar teatro no Tablado — referência em cursos do gênero, no País.
Dublagem editar
Em 1951, Walt Disney encomendou a dublagem brasileira de Alice no País das Maravilhas e reuniu um time especial, contemplando nomes como Vinícius de Moraes e Carlos Alberto Ferreira Braga, o “Braguinha”, conhecido não apenas como compositor, mas pelo papel relevante no cinema, no sentido de adaptar filmes para o público do Brasil. Coube justamente a Braguinha escolher a voz da protagonista e ele se lembrou da filha de uma amiga.
A menina era Therezinha Marçal. Tinha somente 10 anos, mas já demonstrava desinibição e talento em cena. Ela passou no teste e o resultado da obra chamou tanto a atenção que, dois anos depois, em 1953, foi convidada para dublar Wendy, a irmã mais velha de João e Miguel, em Peter Pan. A perfeição do trabalho fez com que essas dublagens jamais fossem substituídas: até hoje, quando assistimos a esses clássicos, são as vozes originais, daquela época, que ouvimos.
Últimos Anos: Doença & Morte editar
Therezinha tinha fibrose pulmonar e conviveu com a doença por bastante tempo, sem que houvesse sintomas significativos. Nos últimos anos, contudo, seu quadro se agravou. Faleceu aos 85 anos, no Rio de Janeiro. Em todos permanecem a voz, o sorriso e a delicadeza daquela que um dia foi Alice.
Trabalhos em Dublagem editar
Animações ocidentais editar
Longas editar
- Alice no País das Maravilhas (1951) - Alice (Kathryn Beaumont)
- As Aventuras de Peter Pan (1953) - Wendy Darling (Kathryn Beaumont)