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Newton da Matta

De Dublapédia

Newton Marin da Matta (Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1935 - Bragança Paulista, 6 de março de 2006)[nota 1], mais conhecido como Newton da Matta, foi um ator, radioator, dublador, diretor de dublagem, professor de dublagem, locutor, radialista e escritor brasileiro. É creditado por diversos profissionais em dublagem como um dos maiores e mais importantes dubladores na história da dublagem no Brasil, tendo sido tanto um dos pioneiros da área no país quanto um dos responsáveis pelo aperfeiçoamento do sistema educacional usado nos cursos modernos da profissão. Embora tenha dado sua voz a inúmeros atores ao longo de sua extensa carreira e fosse reconhecido por sua incrível versatilidade para dublar desde séries à filmes de drama, comédia e ação, Da Matta é principalmente lembrado por ter sido o dublador oficial dos atores Bruce Willis e Dustin Hoffman por mais de duas décadas, além de também ter marcado por dublar Lion-O do seriado animado Thundercats (1985-1990), o Capitão Gancho na franquia da Disney e Basil de As Peripécias do Ratinho Detetive.

Biografia editar

Primeiros Anos: Teatro, Radialismo e Televisão editar

Da Matta (terceiro em pé na 2ª fileira, da esquerda para direita) com o elenco da primeira peça do Sitio do Pica-Pau Amarelo no Teatro Ginástico em 1948.

Tendo se formado em teatro ainda bem jovem, Newton começou sua carreira artística na Rádio Tupi em 1946, aos 11 anos. Ingressando então na Companhia Teatro da Carochinha em 1948, dentre as atuações que realizou nessa época, seu trabalho de maior destaque fora ter sido o primeiro ator a interpretar Pedrinho de O Sítio do Pica-Pau Amarelo na celebre adaptação teatral original da obra homônima no Teatro Ginástico junto de Cora Costa, Graziela Ramalho, Lícia Magna, Pedro Veiga, Aquilino Barreiros, Miguel Rosenberg, Geraldo dos Santos, Katucha Delgado e Nelli Brasil, dentre outros. No geral, Newton permaneceu com o grupo até sua dissolução em 1949.

Após ter deixado a Rádio Tupi em 1950, Newton ingressou na Rádio Tamoio, porém, só ficou nela por apenas alguns meses. Logo depois, ainda no mesmo ano, ele fora contratado pelas Organizações Victor Costa, onde começou a trabalhar na Rádio Mayrink Veiga. Nesta emissora, ao qual ficou por cinco anos, entre os vários projetos em que Newton atuou, os que mais o marcaram foram o programa humorístico Jardim dos Namorados, contracenando com seu par artístico, Dirce Belmonte, e nas novelas Sublime Redenção e O Impostor.

Da Matta, com Carolina Landers, durante a gravação de uma rádionovela na década de 1950.

Em 1955, Newton ingressou na Rádio Mundial, participando, dentre outros trabalhos, da novela Enquanto o Sono Não Chega. Ele ficou na emissora até 1957, quando saiu da mesma a fim de entrar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde permaneceu até o início da década de 1960. Nela, ele participou de diversas novelas como Perfídia, Até Morrer de Amor, Tortura de Uma Traição, Pena de Morte, A Cruz de Um Grande Amor, Os Inocentes Pagarão Pelos Pecadores, o épico drama A Paixão de Cristo (onde conheceu e contracenou com seu futuro amigo de longa data na dublagem, Darcy Pedrosa), Fronteiras de Névoa, Uma Cidade Nas Trevas, Senhora de Santa Fé, A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, A Ilha dos Ventos e O Gosto Amargo. Nesse período, além de atuar, Newton também foi escritor de novelas e diretor de elenco para a emissora.

A partir de 1961, Newton voltou a se aproximar das encenações em palco fora do rádio, atuando na peça É Proibido Suicidar-Se no Teatro Municipal de Niterói, ao lado de outros atores da Rádio Nacional, entre eles Mário Monjardim e Juraciara Diácovo. Nessa época, ele também participou do grupo teatral da emissora, Os Nacionais, trabalhando no bem sucedido espetáculo A Dama do Camarote, de Castro Viana, ao lado de Isis de Oliveira, Altivo Diniz, Henriqueta Brieba, e Domingos Martins. Mais tarde, montou peças de Pirandello, entre outras. Anos depois, Newton foi diretor de cena do musical Alô Dolly, com produção de Victor Berbara, que contou com a interpretações de Bibi Ferreira, Jomeri Pozzoli, Augusto César Vannucci, Milton Carneiro, Berta Loran, entre outros, no Teatro João Caetano.

Durante a Decadência do Radio para TV, como muitos do meio artístico radiofônico, Newton migrou para as emissoras televisivas, tendo, por sua vez, trabalhado como ator e autor de tele-peças na Rede Tupi, TV Rio e Rede Globo.[1] Entre as produções que esteve nesse período, uma das quais se destacou estrelando fora a peça Conflito no programa Grande Teatro Ornlex, dentre outras.

Carreira na Dublagem (1960–2000): Início, reconhecimento e sucesso editar

Da Matta em 1965.

Com o estabelecimento do ramo da dublagem no Rio de Janeiro no início dos anos 1960, Newton decidiu ingressar nessa área profissional, trabalhando principalmente TV Cinesom, onde foi diretor de dublagem e diretor artístico da casa. Em 1961, ao então ser convidado por Herbert Richers Sr. e Victor Berbara para dirigir e atuar como dublador no estúdio deles, Newton passou a trabalhar com exclusividade na Herbert Richers, sendo que, ao longo das décadas de 1960 à 1970, ele se destacou entre os artistas do estúdio por dublar mais filmes do que outros gêneros. Dentre os atores em que mais ganhou reconhecimento dublando neste período incluem Dustin Hoffman, Elvis Presley, Jeffrey Hunter, Mel Gibson, Paul Newman, Peter O'Toole e Warren Beatty. Só que apesar de sua frequência em dublar produções cinematográficas, Newton também dublou algumas séries televisivas durante esse intervalo de tempo, tais como Dr. Kildare, O Fugitivo, O Incrível Hulk e Dallas, onde deu voz ao Dr. James Kildare (Richard Chamberlain), Dr. Richard David Kimble (David Janssen), David Banner (Bill Bixby) e Bobby Ewing (Patrick Duffy), respectivamente.

A partir dos anos de 1980, Newton obteve certo destaque em animações, tendo feito memoráveis, porém poucas, participações nesta época, tais como Homer no anime Patrulha Estelar, Batman na franquia Super Amigos e Basil no longa-metragem As Peripécias do Ratinho Detetive. Esse período, em particular, também é tido como um divisor de águas na carreira de Newton devido a grande popularidade que teve após dublar Terrence Hill em seus filmes de faroeste italiano Trinity. De fato, seu desempenho dublando o ator fora considerado tão irrepreensível que, décadas depois, Da Matta seria apontado por seus colegas remanescentes da Herbert Richers como um dos principais fatores que fez os filmes de Hill terem sucesso no Brasil, dado que sua interpretação colocando um tom de voz irônico e de humor na dose certa, além da risadinha característica do ator transformou o ato de ouvi-lo no som original algo impensável.[2] Nessa época, Newton se afastou da dublagem por um tempo para trabalhar com marketing em Brasília, só regressando para o Rio de Janeiro em 1985.

Da Matta com Sumára Louise.

Embora ter dublado Terrance Hill tenha dado notoriedade a carreira de Newton, sua fama só atingiu o ápice mesmo depois que deu voz a Bruce Willis como o detetive David Addison Jr em A Gata e o Rato em 1985. Dublando a série junto com Sumára Louise (que dublou Cybill Shepherd no seriado como a aspirante detetive Madolyn "Maddie" Hayes), ambos ficaram muito conhecidos pelo público televisivo ao ponto de serem considerados como dubladores oficiais dos respectivos atores, resultando em Newton passando a ser requisitado para dar voz a Willis em praticamente todas suas aparições no cinema pelos próximos vinte anos, algo que o fez adquirir um grande gosto e prazer em dublar o ator. Sua parceria com Sumára durante esse tempo inclusive fez com que ambos se tornassem grandes amigos e admiradores um do trabalho do outro.[3] Ademais, além do reconhecimento que ganhara dublando A Gata e o Rato, ele também recebeu prestígio considerável ao dublar o Primo Zeca (Bronson Pinchot) na série de comédia Primo Cruzado, bem como atuar e dirigir a dublagem tanto da celebre minissérie Pássaros Feridos, dando voz novamente a Richard Chamberlain no papel de Padre Ralph de Bricassart, quanto do clássico Thundercats, dublando o protagonista Lion-O, sendo que esse último acabou se tornando seu personagem mais marcante envolvendo desenhos animados. Já se tratando apenas de direção artística, Newton dirigiu a dublagem de diversas produções nesse período, sendo as mais marcantes a série Super Maquina (substituindo Mário Monjardim) e dos filmes Monty Python - O Sentido da Vida, Platoon e Moonwalker, aos quais, posteriormente, seriam classificados pelo público como clássicos icônicos.

Ainda na década de 1980, Newton abriu vários cursos de dublagem, tendo ajuda de Darcy Pedrosa, Márcio Seixas, Francisco José, Dário de Castro, Marisa Leal, Sheila Dorfman e outros colegas de profissão ao longo dos anos. Seu método de ensino empregando vídeo-aulas e técnicas usadas por rádioatores viriam a ser considerados inovadores, contribuindo significativamente para formação de uma nova geração de dubladores.

Da Matta sendo entrevistado no programa 24 Horas da Rede Manchete em 1998.

Nos anos 1990, além de administrar sua escola de dublagem (que ficou conhecida o suficiente para ter uma reportagem sobre ela no programa 24 Horas da Rede Manchete em 1998), Newton continuou tanto a dublar quanto dirigir dublagens simultaneamente, sendo que suas contribuições de maior renome incluem os três filmes iniciais da franquia Duro de Matar, o épico drama histórico Coração Valente, o suspense marítimo Do Fundo do Mar, a novela Marielena, os seriados Três é Demais (a partir da 3ª temporada), Buffy - A Caça Vampiros, Angel, dentre outros. Já em produções que apenas dublou neste tempo, ele se destacou particularmente por ter dublado Dustin Hoffman como Capitão Gancho no filme Hook: A Volta do Capitão Gancho e Vernon Schillinger (J.K. Simmons) na série Oz: A Vida é uma Prisão, enquanto em desenhos, suas participações mais recorrentes foram em Os Gárgulas, onde deu voz a diversos personagens, e Franklin, dublando o Sr. Ganso.

Últimos Anos (2000-2006): Saída da Herbert Richers, novos rumos e declínio da saúde editar

Da Matta, junto de Miguel Rosenberg, Sylvia Salustti, Sumára Louise e Manolo Rey, no Programa Livre do SBT em 2000.

Após 30 anos de permanência na Herbert Richers, Newton decidiu sair do estúdio no começo dos anos 2000, sendo um de seus trabalhos finais lá a minissérie Pássaros Feridos: Tempos Perdidos, onde dublou Richard Chamberlain pela última vez. Depois disso, Newton passou a dedicar-se a Double Sound, onde foi diretor e dublador por três anos. Nessa época, ele participou junto de Miguel Rosenberg, Sylvia Salustti, Sumára Louise e Manolo Rey de uma entrevista coletiva sobre dublagem no Programa Livre do SBT. Posteriormente, por conta de seu notável desempenho dublando o Capitão Gancho de Hoffman em 1991, Newton seria escalado pela Disney para dublar novamente o personagem nos longas-metragens animados Peter Pan: De Volta à Terra do Nunca, Os Vilões da Disney e no seriado O Point do Mickey. Em 2003, Newton mudou-se para São Paulo, começando a dublar e dirigir na Parisi Vídeo, Álamo e Tempo Filmes. Um de seus trabalhos de reconhecimento nesse período fora o Capitão Jim Brass (Paul Guilfoyle) em CSI: Investigação Criminal, porém, só permaneceu na série durante sua primeira temporada, sendo então substituído da direção por José Parisi Jr. enquanto Renato Márcio assumiu a dublagem de seu personagem.

Em seus últimos dias, apesar de estar sendo atormentado por problemas de saúde, Newton estava trabalhando como diretor da Tempo Filmes, responsável pela dublagem de programas dos canais a cabo Discovery Channel, People+Arts, Discovery Kids e Animal Planet. Seu último trabalho foi dublando justamente o ator Bruce Willis no filme Sin City: A Cidade do Pecado de Frank Miller em 2005, realizado no estúdio Delart, no Rio de Janeiro. Antes de sua morte, ele havia sido cotado para dublar Hades em Os Cavaleiros do Zodíaco, papel que acabou ficando a cargo de Marcelo Pissardini.

Vida Pessoal editar

Newton era casado com Célia Antunes da Matta. Ele fora conhecido por seus amigos e colegas por sua personalidade forte, divertida, porém, séria e profissional quando se tratava de seu trabalho com dublagem. Os alunos de seu curso inclusive declararam que Da Matta exigia deles foco e repetição a fim de sempre entregarem o melhor trabalho possível.

Em 2023, em uma entrevista para Claudio Galvan no Desfoque Podcast, Carmen Sheila revelou que Da Matta não gostava de trabalhar com crianças. Ela também declarou que por causa da difícil personalidade forte dele, os dois nunca foram amigos ou conseguiam se entender, com a mesma inclusive detestando ter de trabalhar com ele.[4]

Doença e morte editar

Entre a década 1980 à 1990, Newton desenvolveu osteoartrite degenerativa na bacia. Seu estado de saúde a partir daí então passou a declinar.[Carece de fontes]

Em 5 de fevereiro de 2006, Da Matta foi internado no Hospital Universitário São Francisco em Bragança Paulista depois de sofrer uma parada cardíaca que o deixou em coma. Após 30 dias de hospitalização, ele veio a falecer por conta de uma infecção hospitalar na tarde do dia 6 de março.[1][5] Seu corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo no Rio de Janeiro.

Trabalhos de Ator editar

Teatro editar

  • O Sítio do Pica-Pau Amarelo (1948) - Pedrinho
  • É Proibido Suicidar-Se (1961)
  • A Dama do Camarote (1961)
  • Alô Dolly (1966) - Diretor de cena

Rádio editar

Rádio Mayrink Veiga editar

  • Jardim dos Namorados (1951)
  • Sublime Redenção (1953)
  • O Impostor (1955)

Rádio Nacional editar

  • Perfídia (1957)
  • Até Morrer de Amor (1957)
  • Tortura de Uma Traição (1957)
  • Pena de Morte (1957)
  • A Cruz de Um Grande Amor (1959)
  • Os Inocentes Pagarão Pelos Pecadores (1959)
  • A Paixão de Cristo (1959)
  • Fronteiras de Névoa (1960)
  • Uma Cidade Nas Trevas (1960)
  • Senhora de Santa Fé (1961)
  • A Ilha dos Ventos (1961)
  • A Vida de Nosso Senhor Jesus (1961) - Narrador/Jesus Cristo
  • O Gosto Amargo (1962)

Televisão editar

TV Rio editar

  • Grande Teatro Ornlex (1959) - Episódio: "Conflito"

Cinema editar

Trabalhos em Dublagem editar

Bruce Willis editar

Filmes

Séries

Comerciais

Bronson Pinchot editar

Filmes

Séries

Adam West editar

Séries

Séries Animadas

Richard Chamberlain editar

Filmes

Séries

Al Pacino editar

Filmes

Documentários

Elvis Presley editar

Filmes

Documentários

J. K. Simmons editar

Filmes

Séries

Pierce Brosnan editar

Filmes

Séries

Dustin Hoffman editar

Filmes editar

Terence Hill editar

Filmes editar

Paul Newman editar

Filmes editar

Mickey Rourke editar

Filmes editar

Warren Beatty editar

Filmes editar

Martin Sheen editar

Filmes editar

Peter O'Toole editar

Filmes editar

Terrence Stamp editar

Filmes editar

Gene Wilder editar

Filmes editar

Jeffrey Hunter editar

Filmes editar

Clint Eastwood editar

Filmes editar

Dick Van Dyke editar

Filmes editar

Dean Stockwell editar

Filmes editar

Harrison Ford editar

Filmes editar

Jack Nicholson editar

Filmes editar

James Cromwell editar

Filmes editar

Mel Gibson editar

Filmes editar

Nick Nolte editar

Filmes editar

Robert Redford editar

Filmes editar

Robert Wagner editar

Filmes editar

Filmes editar

Séries editar

Animações Ocidentais editar

Corey Burton editar

Longas

Séries

Olan Soule editar

Longas editar

Séries editar

Animes editar

Séries editar

Novelas editar

Roberto Palazuelos editar
Alejandro Aragón editar
Outras editar

Trabalhos em Direção de Dublagem editar

TV Cinesom editar

Séries editar

Herbert Richers editar

Filmes editar

Séries editar

Novelas editar

Animações Ocidentais editar

Séries editar

Animes editar

Séries editar

Double Sound editar

Filmes editar

Animações Ocidentais editar

Longas editar
Séries editar

Parisi Vídeo editar

Séries editar

Trabalhos em Locução editar

Filmes editar

Séries editar

Animações Ocidentais editar

Séries editar

Galeria editar

Referências editar

  1. 1,0 1,1 Morre o ator e dublador Newton da Matta. Estadão. 7 mar. 2006. Consultado em 18/01/2011.
  2. Da Matta e Navas - As Vozes Brasileiras de Bud Spencer e Terence Hill. Dublagem Brasileira. Criado em 16/07/2021. Acessado em 11/05/2023.
  3. Entrevista – Sumára Louise, uma voz inesquecível. infantv.com.br. Criado em 20/04/2018. Acessado em 09/12/2022.
  4. CARMEN SHEILA - Desfoque Podcast #64. Youtube.
  5. Newton da Matta - Recordar anos 60, 70, 80 e 90 é viver. juliao1973.blogspot.com. Criado em 06/03/2010. Acessado em 04/05/2023.
  1. Embora algumas páginas e sites de notícias independentes afirmem que Newton nasceu em 1929 ou 1946, o fato dele ter atuado como Pedrinho na primeira montagem da peça O Sítio do Pica-Pau Amarelo em 1948, quando tinha 13 anos, tornam essas datas improváveis. Segundo o jornal Estadão, no entanto, ele teria nascido, de fato, em 1935.
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