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André Filho

De Dublapédia

André Pereira dos Santos Filho (Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1946 - Rio de Janeiro, 15 de março de 1997) foi um ator, dublador, cantor e locutor brasileiro. Começou sua carreira no rádio aos 16 anos e logo passou a fazer dublagem de filmes, séries e desenhos animados. Durante sua carreira, que abrangeu mais de 3 décadas, ele trabalhou em diversos estúdios, como BKS, Herbert Richers, VTI, Telecine e Peri Filmes. Também foi locutor e apresentador de programa radiofônico na Imprensa FM do Rio de Janeiro até o início dos anos 90. André faleceu aos 50 anos de idade, vítima de complicações de saúde relacionadas à AIDS. Ele também era homossexual assumido.

Biografia editar

André Filho nasceu em 21 de dezembro de 1946, na cidade do Rio de Janeiro, filho de André Pereira dos Santos e sua esposa.

André estudou em colégio da Marinha e sempre se interessou por atuação e rádio, tendo sido radialista nas Rádio Globo e Rádio Tupi, e ator, antes mesmo de ser dublador. Em 1962, entrou para o teatro, aos 16 anos, e em poucos meses, foi levado por Milton Rangel até a Herbert Richers, que notou o talento no jovem para a atuação, além de uma voz sem igual. Segundo a renomada dubladora e diretora Ângela Bonatti, um André adolescente teria começado na CineCastro e, posteriormente passado pela TV Cinesom.

Um de seus primeiros trabalhos fixos teria sido o jornalista Tim O'hara (interpretado por Bill Bixby que se tornaria famoso no papel de David Banner na clássica série de TV O Incrível Hulk) na série Meu Marciano Favorito, seguido de outras séries que se tornariam famosas nas décadas seguintes como Kung Fu, O Homem de Seis Milhões de Dólares e Duro na Queda. Até mesmo atores impensáveis para o timbre do André Filho "serviam como uma luva" como no caso de Charles Bronson no primeiro filme da cinessérie Desejo de Matar (1974). A versatilidade do André também migrava para os desenhos animados. Personagens como Capitão Guapo d'A Corrida Espacial, o diretor Seymour Skinner de Os Simpsons, Zan da dupla Super Gêmeos dos Super Amigos, o Corredor X de Speed Racer são apenas alguns exemplos do talento gigantesco do dublador.

Na década de 70, presente na Herbert Richers, trabalhou na Dublassom Guanabara e na Peri Filmes. No cinema, atuou em duas pornochanchadas, Sexo e Sangue e Essas Deliciosas Mulheres, ambas de 1979. Nos anos 80, na Herbert Richers, ganhou mais notoriedade (juntamente com Juraciara Diácovo) ao dublar o personagem Jonathan Hart (protagonizado por Robert Wagner) da famosa série de TV Casal 20, devido a espontaneidade e maestria com que a dupla de dubladores imprimia em cada episódio. Selma Lopes disse que André teria apontado o Casal 20 como um de seus trabalhos preferidos. Juraciára revelou que as expressões carinhosas que os dois colocavam nas falas do casal como "vida" e "paixão" caíram no gosto popular de milhares de casais brasileiros. Foram entrevistados em vários programas televisivos da época. "André era um ator em sua essência, fazia o que o ator tinha que fazer", afirma a dubladora.

Com a greve de dubladores em 1978 encabeçada por Jorgeh Ramos, que dublava Lee Majors na série O Homem de Seis Milhões de Dólares, André Filho foi a escolha para continuar a dublagem desse ator e o voicematch foi tão perfeito que André passou a dublar tudo que aparecesse do Lee Majors dali em diante, incluindo a série Duro na Queda. Série onde Ricardo Schnetzer teria o seu primeiro grande fixo e diz ter aprendido muito com ele: "André me ensinou muito, ele costumava me dizer 'corta o texto na hora de dublar...corta o texto!'". André repetiria o mesmo feito com o ator Christopher Reeve, quando dublou Superman: O Filme e a sequência cinematográfica que se seguiria na década de 80 (entregando dois registros sensivelmente diferentes quando o personagem era ora o herói, ora o jornalista Clark Kent) e em vários outros filmes em que Reeve atuaria posteriormente. Ainda na década de 80, dubla ativamente na Telecine e na VTI.

O preciosismo de André era algo impressionante até mesmo entre os companheiros de profissão: ele emulava a 'boca torta' de Sylvester Stallone em filmes como o lutador Rocky Balboa e o guerreiro Rambo ou a 'dicção de dentes cerrados' do Sean Connery como no filme Os Intocáveis. O diretor e dublador Garcia Júnior relatou em um podcast os comentários que seu pai, Garcia Neto, fazia quando dirigia André em cada filme: "um gênio"! Não fumava, não bebia nada gelado e consumindo álcool com moderação, André Filho fez algo inédito no início dos anos 90 para um profissional da categoria: teria colocado a sua voz no seguro. O escritório responsável pelo seguro foi Sandoval Alecrim, um dos maiores corretores independentes da época. Segundo Júlio Chaves, André teria ficado sabendo de profissionais que viviam da voz e tiveram problemas com a mesma, ficando sem trabalhos e "ele queria se precaver". Júlio também revelou que André se sentia ofendido pela falta de reconhecimento de seu empenho e trabalho. "Logo ele que fez tantos bons trabalhos", ressaltou.

O dublador também era conhecido pelo seu gênio difícil e personalidade forte, tendo feito alguns desafetos na dublagem durante a sua carreira. Era um crítico de seu próprio trabalho e, naturalmente poderia criticar colegas de profissão com o intuito sincero de ver o aprimoramento profissional de todos. A diretora Marlene Costa diz ter aprendido muito sobre direção por causa do André, pois ele não era figura fácil e ela precisava ter o melhor ambiente de trabalho e resultado possíveis. O diretor Alberto Perez dizia que André era "indirigível" e que dirigia a si mesmo buscando sempre a perfeição. "Segura que o André tá voando, se der corda ele voa", dizia Perez. Porém, segundo Waldir Fiori, quando André gostava de alguém, não media quaisquer esforços para ajudar. Carmen Sheila contou um fato sobre André ter confundido a numeração de um loop e depois de alguns ajustes colocou o texto do loop errado perfeitamente na boca do 'boneco', mostrando a sua capacidade de adaptação de textos quando possível. A diretora Sumára Louise recorda: “André Filho é indescritível! Como descrever sua capacidade de adequar a voz? Sua acuidade para o sincronismo? Seu conhecimento do idioma, para transformar um texto? Tarefa difícil falar dele".

Em 1992, devido a um processo movido por ele contra a Rede Globo, que era parceira da Herbert Richers na época, deixa de trabalhar na renomada casa de dublagem porém, começa a atuar pela Sincrovideo e pela Delart. Reza a lenda que André teria dublado Rocky IV, mas devido ao processo contra a emissora, que detinha os direitos de exibição do filme, teria a sua voz substituída às pressas por Luiz Feier Motta, que o substituiria após a sua morte em muitos dos bonecos que André costumava dublar. A dublagem desse filme é considerada uma mídia perdida.

André trabalhou como mestre de cerimônias e também era cantor, além de apresentar programas de música romântica na Rádio Nacional e na Rádio Tropical em momentos distintos no final dos anos 80. Era fanático por futebol (botafoguense "doente") e um de seus passatempos preferidos era bater uma bola com os amigos no futebol amador. Em um desses eventos esportivos, André observou a desenvoltura e a boa dicção de um repórter esportivo que cobria o evento chamado Gutemberg Barros e o convidou para o ramo, encaminhando-o para a VTI na época. A dubladora Maria da Penha revelou em um entrevista no início dos anos 2000 que André "não era rico, morava de aluguel e teve, inclusive, dificuldades financeiras no final da vida. Nós, os amigos, o ajudamos. Ele era um homem bonito, bem elaborado e, graças à sua inteligência, se aprimorou na sua profissão".

Nos meses finais de vida, André ficou tão debilitado que já não tinha mais condições de sair de casa. Como não casou e nem teve filhos, contava apenas com a ajuda de amigos. André faleceu devido as complicações do vírus HIV, em 15 de março de 1997, aos 50 anos.

Trabalhos em Dublagem editar

Burt Reynolds editar

Filmes editar
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Christopher Plummer editar

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Séries editar

Roger Moore editar

Filmes editar
Outras Produções editar

Filmes editar

Michael Caine editar
Sylvester Stallone editar
Sean Connery editar
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Christopher Reeve editar
Donald Sutherland editar
Charles Bronson editar
Robert Redford editar
Sidney Poitier editar
Steve McQueen editar
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Robert Taylor editar
Robin Williams editar
Sam Elliott editar
Vic Morrow editar
Outros editar

Séries editar

Lee Majors editar

Outros editar

Animações Ocidentais editar

Séries editar
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Outras editar
Longas editar

Animes editar

Séries editar
Longas editar

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Novelas editar

Galeria editar